Perspetivas semanais
O que aconteceu esta semana?
Europa
- Zona do euro: A inflação acelerou acentuadamente para 3,3% em agosto, face aos 2,9% registados em julho, atingindo o nível mais elevado desde setembro de 2023, à medida que as tensões renovadas no Médio Oriente impulsionaram os preços da energia.
- O mais recente aumento da inflação reforçou as expectativas de que o BCE suba as taxas de juro na próxima semana para travar a subida de preços.
- Alemanha: A inflação subiu para 2,9% em agosto, face aos 2,8% registados em julho, embora o valor tenha ficado abaixo dos 3,2% previstos pelos economistas. Os custos da energia e as tensões geopolíticas continuam a ser os principais fatores impulsionadores.
- O Instituto Ifo reviu em alta a sua previsão de crescimento para a Alemanha para 1,4% em 2026, face aos 0,8% anteriormente previstos, apoiada por exportações mais fortes e por um aumento da despesa pública em infraestruturas, projetos climáticos e defesa.
- O Ifo prevê um crescimento do PIB alemão de 1,2% em 2027 e de 0,8% em 2028.
- Suíça: A inflação recuperou para 0,8% em agosto, face aos 0,4% registados em julho, com o aumento dos custos da gasolina, do gasóleo, do óleo de aquecimento e das rendas a impulsionar esta aceleração.
- As renovadas tensões geopolíticas e o aumento dos preços da energia estão a exercer pressão ascendente sobre a inflação em toda a Europa, aumentando a incerteza quanto à trajetória da política monetária.
Reino Unido
- O economista-chefe do Banco de Inglaterra, Huw Pill, argumentou que poderá ser necessário aumentar as taxas de juro para evitar que a inflação se torne persistente.
- Pill juntou-se a outros dois membros do Comité de Política Monetária (MPC) ao votar a favor de um aumento das taxas em julho, enquanto seis decisores preferiram manter as taxas inalteradas.
- O debate destaca o dilema do Banco de Inglaterra: os preços da energia continuam altamente incertos, enquanto as tensões geopolíticas poderão manter a inflação elevada por mais tempo.
- O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, comprometeu-se a reduzir a dívida pública e a respeitar as regras orçamentais antes do orçamento de outubro.
- Os investidores continuam preocupados com a possibilidade de o governo anunciar um aumento da despesa sem aumentos de impostos equivalentes, o que agravaria a pressão orçamental.
- A dívida pública já se aproxima dos 94% do PIB, limitando a margem para estímulos orçamentais adicionais.
EUA
- O governador da Reserva Federal, Christopher Waller, afirmou que apoiaria a manutenção das taxas de juro se os próximos dados de inflação de agosto confirmassem que as pressões sobre os preços estão a abrandar.
- O governador da Reserva Federal, Michael Barr, no entanto, afirmou que as taxas deveriam ser aumentadas este mês caso os dados a serem divulgados não mostrem progressos suficientes em relação à inflação, o que realça as divisões no seio da Reserva Federal.
- O secretário do Tesouro, Scott Bessent, argumentou contra o aumento das taxas em resposta a um choque de oferta, apontando para uma inflação subjacente moderada.
- A atividade no setor dos serviços dos EUA manteve-se sólida, com o PMI de serviços do ISM a subir de 54,1 para 55,4 em agosto, enquanto as novas encomendas registaram um salto para 60,9.
- O emprego manteve-se em contração pelo segundo mês consecutivo, no entanto, enquanto as empresas continuaram a citar as tarifas e as tensões no Médio Oriente como principais riscos para a cadeia de abastecimento.
- A atividade industrial abrandou, com o PMI de indústria do ISM a cair de 55,6 para 54,6, abaixo dos 55,3 esperados.
- Os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA aumentaram ligeiramente para 206 000, enquanto os pedidos recorrentes também registaram uma subida moderada, apontando para um mercado de trabalho globalmente estável.
- As ofertas de emprego subiram de 7,2 milhões para 7,3 milhões em julho, mas a taxa de contratação caiu de 3,4% para 3,2%, sugerindo que as empresas continuam cautelosas quanto à expansão das plantas de pessoal.
- O número de despedimentos manteve-se globalmente estável em cerca de 1,7 milhões, enquanto as demissões voluntárias se mantiveram nos 3,1 milhões.
Canadá
- O Banco do Canadá manteve a sua taxa de juro de referência em 2,25% pela sétima reunião consecutiva, à medida que os decisores políticos procuram equilibrar o fraco crescimento com os renovados riscos de inflação.
- O governador Tiff Macklem alertou que a escalada das tensões comerciais com os EUA poderá abrandar a recuperação económica e, simultaneamente, impulsionar a inflação.
- A perturbação dos transportes marítimos através do Estreito de Ormuz também aumentou os riscos de subida nas perspetivas de inflação.
Noruega
- O Norges Bank manteve a sua taxa de juro de referência inalterada em 4,25%, em linha com as expectativas.
- A governadora Ida Wolden Bache alertou que poderá ainda ser necessário um novo aumento das taxas, uma vez que a inflação continua demasiado elevada.
- O banco central está a acompanhar de perto o impacto das tensões no Médio Oriente e das perturbações na zona do Estreito de Ormuz sobre os preços da energia.
Nova Zelândia
- O Banco Central da Nova Zelândia aumentou a sua taxa de juro de referência em 25 pontos base, para 2,75%.
- O RBNZ destacou os riscos persistentes de inflação, apesar de uma recuperação económica desigual e de o desemprego se manter em níveis elevados.
- Esta medida indica que os decisores políticos estão dispostos a tolerar condições financeiras mais restritivas para evitar que as expectativas de inflação se tornem enraízadas.
Malásia
- O Bank Negara Malaysia manteve a sua taxa de juro de referência em 2,75%, apoiado por um forte crescimento e por uma inflação relativamente contida.
- A economia da Malásia cresceu 6,0% em termos homólogos no segundo trimestre, acelerando em relação aos 5,4% registados no primeiro trimestre.
- A forte atividade interna dá ao banco central margem para manter a taxa inalterada, apesar dos riscos geopolíticos e energéticos externos.
Índia
- A economia da Índia cresceu 7,8% em termos homólogos no segundo trimestre, superando a previsão consensual de 7,5%.
- O crescimento foi generalizado, com a produção industrial a registar um aumento de 9,2%, enquanto a construção e o consumo privado também se reforçaram.
- No entanto, a fatura energética da Índia está a aumentar rapidamente: as importações de petróleo bruto subiram 56%, para 63,4 mil milhões de dólares, entre abril e julho, em comparação com o ano anterior.
Mercados Globais / Matérias-primas
- As taxas de rendibilidade das obrigações globais dispararam, com a onda de vendas a alastrar-se pelos principais mercados desenvolvidos, à medida que os preços mais elevados do petróleo reavivaram as preocupações com a inflação.
- O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos subiu para 4,798%, o seu nível mais elevado desde janeiro de 2025.
- O rendimento das obrigações do Estado japonesas a 10 anos atingiu os 3% pela primeira vez desde 1996, destacando a dimensão da pressão no mercado obrigacionista global.
- O aumento das yields reflete as crescentes expectativas de que os principais bancos centrais possam ter de voltar a endurecer a política monetária, uma vez que os preços da energia se mantêm elevados.
- O ouro está também a tornar-se um foco da gestão do risco geopolítico: os Países Baixos estão a transferir parte das suas reservas de ouro de Nova Iorque para Londres, invocando uma maior incerteza geopolítica.
- A possibilidade de um fenómeno El Niño prolongado está a acrescentar mais um nível de risco aos mercados agrícolas, com perturbações nas colheitas na América do Sul e na Ásia a poderem sustentar os preços de matérias-primas como o milho e o açúcar.
- A Organização Meteorológica Mundial estima que a probabilidade de o El Niño se manter até fevereiro de 2027 seja próxima dos 100%.
Fatores que influenciaram os mercados esta semana
Câmbios
EUR/USD:
Desde o início do ano: -1,01%
Semanal: +0,41%
USD/JPY:
Desde o início do ano: -0,77%
Semanal: -2,29%
GBP/USD:
Desde o início do ano: +0,55%
Semanal: +0,02%
AUD/USD:
Desde o início do ano: +8,20%
Semanal: +0,81%
USD/CAD:
Desde o início do ano: +0,61%
Semanal: -0,82%
EUR/CHF:
Desde o início do ano: +0,92%
Semanal: +0,47%
- Impulsionado pelas especulações sobre uma intervenção no mercado cambial e pelas crescentes expectativas de que o Banco do Japão possa proceder a um aumento das taxas de juro superior ao esperado este mês, o iene japonês valorizou-se, atingindo o seu máximo de um mês face ao dólar norte-americano.
- Os pares JPY/NZD, JPY/CHF, JPY/GBP e JPY/EUR registaram subidas superiores a 2,1%.
- O par NOK/SEK registou uma subida superior a 0,8%.
- O USD/CHF subiu mais de 0,5%.
- Os pares AUD/JPY e CAD/JPY registam quedas superiores a 1,4%.
- O TRY/JPY registou uma queda superior a 2,4%.
Matérias-primas
Ouro:
Desde o início do ano: +3,50%
Semanal: -2,93%
Brent:
Desde o início do ano: +57,00%
Semanal: +7,95%
WTI:
Desde o início do ano: +59,39%
Semanal: +9,64%
Cobre:
Desde o início do ano: +17,04%
Semanal: -0,34%
- Os preços do WTI subiram mais de 9,60%.
- Os preços do Brent e do gasóleo de Londres subiram mais de 8,30%.
- Os preços do sumo de laranja subiram mais de 7%.
- Os preços do cacau registaram uma descida superior a 7,60%.
- Os preços do café registaram uma descida superior a 5,70%.
- Os preços do algodão e do trigo registaram uma descida superior a 4,30%.
Índices
DAX 40:
Desde o início do ano: +6,14%
Semanal: -1,85%
S&P 500:
Desde o início do ano: +12,64%
Semanal: +0,16%
NASDAQ:
Desde o início do ano: +13,21%
Semanal: +0,26%
DOW JONES:
Desde o início do ano: +11,60%
Semanal: +0,14%
FTSE 100:
Desde o início do ano: +9,06%
Semanal: +0,36%
BOVESPA:
Desde o início do ano: +14,93%
Semanal: +5,74%
- O índice Bovespa registou uma subida superior a 6%.
- Os índices BIST 100 e VIX registaram uma queda superior a 4%.
- O índice CAC40 registou uma queda superior a 2%.
Ações
Líderes
- Robinhood Markets: +13,63%
- Trade Desk: +12,44%
- Alnylam Pharmaceutical: +11,81%
- Deere & Co: +11,52%
Piores desempenhos
- Edison International: -23,59%
- PG&E: -22,23%
- Ciena: -20,61%
- Marvell Technology: -13,51%
- Palo Alto Networks: -13,30%
- Cadence Design Systems: -12,28%
- Autodesk: -12,22%
Eventos importantes a acompanhar
Terça-feira, 8 de setembro
- 00h30 – Austrália – Variação do Índice de Confiança do Consumidor Westpac (setembro)
- Anterior: 6%
- Previsão: -3,6%
- 01h30 - Austrália - Confiança Empresarial do NAB (agosto)
- Anterior: -6
- Previsão: -8
- 03:00 - China - Balança Comercial (agosto)
- Anterior: 112,5 mil milhões de dólares
- Previsão: 120,0 mil milhões de dólares
- 03:00 - China - Exportações em termos homólogos (agosto)
- Anterior: 23,9%
- 03:00 - China - Importações em termos homólogos (agosto)
- Anterior: 27,5%
- 06:00 - Alemanha - Balança comercial (julho)
- Anterior: 15,4 mil milhões de euros
- Previsão: 17,5 mil milhões de euros
Quarta-feira, 9 de setembro
- 01:30 - China - Taxa de inflação em termos homólogos (agosto)
- Anterior: 0,5%
- Previsão: 0,5%
Quinta-feira, 10 de setembro
- 12h15 – Europa – Taxa da facilidade de depósito
- Anterior: 2,25%
- Previsão: 2,5%
- 12h15 – Europa – Decisão do BCE sobre as taxas de juro
- Anterior: 2,4%
- Previsão: 2,65%
- 12h30 – EUA – Índice de Preços no Produtor (mês a mês) (agosto)
- Anterior: 0%
- Previsão: 0,3%
- 12h45 – Europa – Conferência de imprensa do BCE
- 14h00 - EUA - Vendas de habitações existentes (agosto)
- Anterior: 4,06 milhões
- Previsão: 4,03 milhões
Sexta-feira, 11 de setembro
- 06h00 - Reino Unido - PIB mensal (julho)
- Anterior: 0,3%
- Previsão: 0,1%
- 12h30 – EUA – Taxa de inflação subjacente em termos homólogos (agosto)
- Anterior: 2,5%
- Previsão: 2,4%
- 12h30 – EUA – Taxa de inflação em termos homólogos (agosto)
- Anterior: 3,4%
- Previsão: 3,4%
- 14h00 - EUA - Índice de Confiança do Consumidor de Michigan (preliminar, setembro)
- Anterior: 51,7
- Previsão: 51,5
Principais resultados financeiros a acompanhar
Quarta-feira, 9 de setembro
- Industria de Diseno Textil
Quinta-feira, 10 de setembro
- Oracle
- ADOBE
Fonte: The Wall Street Journal, Investing, Trading Economics Calendar GMT, Reuters, TradingView e dados da ActivTrades a 4 de setembro de 2026
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